Reconhecida como o segundo maior polo médico e tecnológico do Brasil, a cidade nem sempre foi capital de Pernambuco. Esse status foi transferido da vizinha Olinda apenas em 1827, impulsionado pelo crescimento econômico proporcionado pelo porto do Recife, que fazia a cidade prosperar muito mais que a antiga Marim dos Caetés.
Em 1630, os holandeses desembarcaram em Olinda, mas logo escolheram o Recife para se estabelecer. Um porto, em plena era das grandes navegações, era vital para o desenvolvimento urbano, facilitando o comércio e o transporte de pessoas. Sob a administração do Conde Maurício de Nassau, o Recife foi ampliado, modernizado e passou a ser a primeira cidade planejada das Américas.A presença holandesa deixou marcas profundas: igrejas de Olinda foram incendiadas, a liberdade religiosa foi instaurada e o comércio se fortaleceu, fazendo o Recife despontar. Esse crescimento gerou tensões entre as duas cidades, culminando na famosa Guerra dos Mascates.
O Recife também foi palco de importantes movimentos da luta pela independência do Brasil, como a Revolução Pernambucana de 1817, a Confederação do Equador, a Revolução Praieira e a Convenção de Beberibe. Foi aqui que se construiu a primeira sinagoga das Américas, e foi também daqui que partiram os judeus que, após a expulsão dos holandeses, ajudaram a fundar Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Berço do frevo, do maracatu e do Movimento Manguebeat, o Recife é um caldeirão cultural, onde a tradição e a inovação caminham juntas. Seu povo é criativo, resiliente e cheio de histórias — e estórias — para contar.
Hoje, 12 de março de 2019, o Recife celebra 482 anos. E nós aproveitamos para parabenizar essa cidade vibrante, nossa capital, nossa Veneza brasileira. Parabéns, Recife!
Por Clécio Bernardo

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