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| Rozenblit: Pioneira pernambucana na produção de vinil (1954-1960s) Foto: Reprodução |
Na década de 1950, o pernambucano José Rozenblit, influenciado por uma experiência nos Estados Unidos, ingressou no mercado fonográfico. Inicialmente como distribuidor da gravadora Mercury, Rozenblit abriu em seguida a loja Lojas do Bom Gosto e, posteriormente, fundou a Fábrica de Disco Rozenblit, tornando-se um importante polo produtor no Nordeste, chegando a deter 22% do mercado nacional e 50% do regional.
Com uma estrutura moderna que abrangia desde a gravação até a comercialização, a Rozenblit, através de seu principal selo Mocambo, quebrou a dependência da indústria estrangeira e impulsionou a música regional. Entre 1954 e 1968, consolidou-se como a maior gravadora de capital nacional, com filiais em importantes centros como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, sendo um centro de formação discográfica fora do eixo Sul-Sudeste.
A gravadora foi pioneira em diversos setores, como o investimento em trilhas sonoras de novelas e o lançamento do primeiro LP de festival MPB. Além de trazer para o Brasil artistas internacionais, a Rozenblit teve um papel crucial no resgate e popularização de gêneros musicais nordestinos como o frevo, maracatu, ciranda, pastoril e coco, muitos dos quais corriam o risco de desaparecimento.
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| José Rozenblit, pernambucano do Recife e fã do frevo. Foto: Reprodução |
Segundo o jornalista José Teles, a motivação de Rozenblit para criar um selo dedicado à música pernambucana, especialmente o frevo, surgiu de seu incômodo com a forma como o gênero era tratado pela indústria fonográfica, ferindo seu orgulho regionalista. Com o apoio da Rozenblit, o frevo ganhou visibilidade e mercado, impulsionando compositores e músicos locais.
Apesar do sucesso e da relevância para a história da música brasileira, a gravadora encerrou suas atividades em meados da década de 1980, impactada por crises financeiras e pelas enchentes que atingiram Recife. O legado da Rozenblit, no entanto, permanece vivo na memória da música nacional, especialmente no que diz respeito à valorização da produção musical nordestina.
Por Clécio Bernardo


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