Pouca gente sabe — ou prefere esquecer —, mas as ruas do centro do Recife, especialmente nas imediações da Estação Central, nos bairros de Santo Antônio, São José e no Recife Antigo, guardam uma presença que, segundo os mais antigos, nunca descansou em paz. Um espírito vagante, boêmio, mulherengo e briguento, que assombra a madrugada e apavora quem ousa cruzar seu caminho.
Trata-se do Boca de Ouro, personagem descrito pelo sociólogo e escritor Gilberto Freyre como uma figura elegante e sinistra: paletó branco, gravata vermelha, chapéu panamá e um charuto sempre aceso. Mas não se engane com a aparência refinada — o Boca de Ouro é um espectro que ainda hoje mete medo nos recifenses mais corajosos.
Diz a lenda que, ao encontrar jovens boêmios perambulando de bar em bar, ele se aproximava calmamente, pedindo fogo para o charuto. Era nesse momento que tudo mudava. Ao encarar o rosto da criatura, a vítima percebia os traços cadavéricos, o cheiro de enxofre e os dentes — todos de ouro maciço — reluzindo sob a luz tênue da rua.
Apavorados, os incautos corriam sem olhar para trás. Mas era inútil. O riso zombeteiro do Boca de Ouro ecoava pelas esquinas, e quando menos se esperava… lá estava ele de novo, diante do fugitivo, com o mesmo sorriso macabro.
Quer saber mais sobre essa figura lendária que ainda ronda as noites do Recife? Assista à nossa videorreportagem abaixo — se tiver coragem de encarar o riso do além.
Por Clécio Bernardo

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