Não é de hoje que moradores do Recife recontam histórias — ou estórias — sobre o misterioso Açude do Prata e o casarão em ruínas localizado no interior da mata de Dois Irmãos, nas imediações da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Segundo a tradição popular, as ruínas pertencem à antiga casa de Branca Dias, uma senhora de engenho portuguesa, adepta do judaísmo, que teria sido acusada de bruxaria e morta pela Inquisição no século XVI — menos de cinquenta anos após a chegada dos portugueses ao Brasil.

Seja ou não a casa de Branca Dias, o fato é que o local guarda um importante patrimônio histórico, hoje em completo abandono. Com ele, esvaem-se também as memórias e as lendas que o cercam. Uma das mais conhecidas diz que o espírito de Branca Dias ainda vaga pela região e que, à noite, aparece às margens do açude para lavar suas peças de prata — origem do nome do local.

Apesar das histórias de assombração, nem todos têm medo. A estudante Gabrielle Maria da Silva relembra, com bom humor, que o local fazia parte de sua rotina. “Eu vinha aqui todos os dias. Dormia no casarão. Por frequentar tanto, à noite, o pessoal começou a me chamar de Branca Dias. Eu vinha com vestido branco e, quando surgia no meio do mato, o povo se assustava e gritava: ‘É o espírito da Branca Dias!’. Mas era só eu mesma, Gabi”, conta, rindo.

Apesar da beleza natural e do clima bucólico, o ambiente também desperta sentimentos contraditórios. Muitos visitantes relatam uma estranha inquietação, uma sensação difícil de explicar — como se o peso do tempo e das histórias ainda pairasse sobre o lugar.

Acompanhe nossa videorreportagem e descubra os mistérios por trás das ruínas do casarão e do Açude do Prata, em Dois Irmãos.


Por Clécio Bernardo