Para alguns, o escritor Carneiro Vilela criou o romance A Emparedada da Rua Nova puramente a partir da imaginação. Para outros, ele se inspirou em um crime real, ocorrido no Recife por volta do século XIX — um episódio tão cruel que desafia a compreensão humana e transforma arte em denúncia silenciosa.
Segundo essa segunda versão, Vilela teria ouvido falar de uma tragédia que manchou a história da cidade: uma jovem, grávida e cheia de vida, foi emparedada viva por ordem do próprio pai. O motivo? A desonra familiar. A barbárie virou literatura e, com o tempo, lenda — daquelas que atravessam gerações, contadas em sussurros, alimentadas pela tradição oral.
O blog PernamBusco, por meio do quadro Contação, decidiu investigar a fundo essa história arrepiante. Conversamos com pessoas que trabalham na Rua Nova — o local onde, reza a lenda, a jovem Clotilde teria tido seu destino selado entre tijolos e silêncio. Muitas preferiram não dar entrevista, mas todas confirmaram: conhecem, sim, a história da emparedada. E a chamam de “macabra”.
Nossa busca nos levou ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP), onde descobrimos algo ainda mais perturbador: outros dois casos de emparedamento teriam sido registrados no Recife — um na Avenida Conde da Boa Vista e outro nas imediações do Parque Santana, em Casa Forte.
Ficou curioso(a) para mergulhar nesse lado sombrio da história recifense? Então assista à nossa videorreportagem abaixo… se tiver coragem.
Por Clécio Bernardo

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