“O Papa-Figo quer comer, eu sou um bom menino, vou tratar de me esconder.” O verso é da música Papa-Figo, do cantor Reginaldo Rossi, lançada em 1966. Para os mais antigos, a canção traz à tona o temor de ser criança e cruzar o caminho de um dos personagens mais assustadores do imaginário popular de Pernambuco no século XX.

O que muita gente talvez não saiba é que o Papa-Figo e o Velho do Saco são figuras distintas. De acordo com o escritor e sociólogo Gilberto Freyre, em seu livro Assombrações do Recife Velho, o Homem do Saco — também conhecido como Velho do Saco — era o responsável por sequestrar crianças e entregar seus fígados ao Papa-Figo. Este último seria um milionário doente, vítima de uma enfermidade incurável que, segundo a crença popular, só poderia ser aliviada com a ingestão de fígado humano infantil — ou figo, no português popular da época.

Durante as décadas de 1960 e 1970, o medo dessas figuras era tão forte que muitas crianças não se sentiam seguras nem dentro de casa. Foi o caso do músico Wellington Sales, morador do bairro de Água Fria, na zona norte do Recife. Ele conta que, segundo relatos publicados inclusive pelo Diário de Pernambuco, o Papa-Figo costumava aparecer à noite em uma rua próxima à sua casa.

“Eu ouvia falar que na Rua do Cariri, aqui perto, o Papa-Figo — ou o Velho do Saco, nunca soube ao certo — aparecia com frequência à noite. Isso deixava a gente com muito medo”, relembra, entre risos.

Quer saber mais sobre essas lendas urbanas que marcaram a infância de muitos pernambucanos? Assista à nossa videorreportagem abaixo. Aproveite para comentar, compartilhar e curtir.


Por Clécio Bernardo